quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A liga extraordinária do trauma - origens da liga

O conceito:

A liga extraordinária do trauma foi idealizada para formar
 uma equipe médica composta pelos melhores médicos de cada 
especialidade envolvida com atendimentos de urgência.

Inicialmente, ela teria como integrantes...





* A Sociedade Brasileira de Ortopedia não colaborou 
com a produção dessa piadinha.

* Alguns ortopedistas entraram em contato com a nossa redação através de cartas, 
mas infelizmente não entendemos nada do conteúdo das mesmas devido às 
várias manchas de graxa, pedaços de gesso, além da péssima caligrafia. 

* Parece que fomos desafiados a repetir essa piadinha durante o próximo MMA, digo, próximo Congresso da Sociedade de Ortopedia. 


Autoria: O chinelo da minhoca

domingo, 12 de fevereiro de 2012

NOVELA DA VIDA REAL


Sandrinha armou a mão, pegou impulso e desferiu um violento tapa contra o rosto de Elisângela.
Elisângela rodopiou no mesmo lugar, soltou um gritinho discreto e devolveu o tapa na mesma intensidade, mesma direção e em sentido oposto, seguindo à risca a terceira lei de Newton.
O tapa devolvido não atingiu Sandrinha em cheio. Pegou meio mascado, fazendo mais “tum” do que “paf”, o que para alguns especialistas seria definido não como um tapa, mas como um pescoção. Sandrinha ficou possessa, pois nunca na vida tinha levado pescoção, ou pescocinho, ou pescotapa, ou qualquer variedade de ato violento com nome de goela.
Engraçado como os homens não costumam separar briga de mulher. Alguns até chegam a fazer um cordão humano para delimitar melhor a área do combate, de forma que as combatentes não saiam e os separadores de briga não entrem.
A única pessoa que queria separar as duas era Fábio, o noivo de Sandrinha. Aliás, ele era o motivo da discórdia, pois deveria estar na igreja naquele momento para se casar com Sandrinha. Não apareceu porque tinha fugido com Elisângela.
Mas pobre quando foge é dureza... Tem que passar na casa de todo mundo que conhece pra falar que vai fugir, pegar umas marmitas pra levar de matula na fuga, tem que chorar e falar que vai morrer de saudades e um monte de formalidades menos importantes. O casamento havia sido sabotado há pouco mais de duas horas e eles ainda nem tinham saído da vizinhança de Elisângela.
E o pior aconteceu (e sempre acontece): Sandrinha recebeu uma ligação anônima de uma amiga de Elisângela (que morria de ódio de ver a amiga feliz) e, tendo em mãos o endereço exato da localização dos foragidos, partiu pra fazer justiça. Mas na hora de sentar a mão no cafajeste do Fábio, destinatário do tapa em questão, ele se abaixou, deixando Elisângela na reta. A polícia poderia até colocar Elisângela na lista das vítimas de tapa-perdido, mas a verdade é que Sandrinha deu até um impulso a mais quando viu que ia acertar a sirigaita ao invés do cafajeste. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CALMA, CALMA


Quando o despertador tocar, acorde devagar, com calma, sem estresse. Não jogue o aparelho na parede. O barulho dele é chato, mas você tem que se controlar. Isso. Levante-se e tome uma ducha bem morninha e relaxante. A água está gelada? Não! Não faça isso! De que adianta arrancar a cortininha do box? Tudo tem uma explicação lógica. Olhe se a chave do chuveiro está no desligado. Não está? Então deve estar queimado. Fazer o quê? Depois você compra um novo. Calma. Aposto que você está nervoso porque se lembrou que não tem dinheiro para comprar um novo. É difícil aceitar isso, eu sei. Mas deixa pra lá. Vista-se e vá para o trabalho. Vai tomar café primeiro? Mas o café acabou, não se lembra? E também o leite e o queijo. AH! Sabe aquele iogurte de ameixa que você comprou na promoção ontem? Venceu antes de ontem. Engraçado, né? Algumas pessoas dariam risada ao perceber esse tipo de... Ei! Ei! Esse pão está mofado. Não se atreva a comer isso. Não se atrev... Tudo bem. O estômago é seu. E vai logo vestir uma cueca, que eu não agüento mais ver essa hérnia balançando aí embaixo. Se você ainda tivesse aquele plano de saúde poderia operar essa coisa. Foi uma pena ter perdido o direito ao plano quando foi despedido daquela empresa. Mas agora esquece isso e veste logo a cueca. Espera aí. Essa não. Você estava com ela ontem. Veste uma nova. Ou então uma limpa... Ótimo! Resolveu me ignorar, né? Vestiu a cueca fedorenta. Tá bom. Termina logo de se arrumar. E não fique nervoso com o cinto. Ele não tem culpa de você ter engordado tanto. Lembre-se de contar até dez. Já contou? Conta devagar. Conta até 30, então. Que coisa! E não esquece de pentear o cabelo. Ali atrás tá arrepiado. Não, mais atrás. Joga um pouco de água. Ainda tá arrepiado. Passa gel. Mais um pouco. Caramba! Coloca um boné! Só por uns dois minutos, pro cabelo abaixar. Vamos embora antes que se atrase.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MUDANÇAS


O tempo é impiedoso. Passa para todos e traz consigo os ventos da mudança, seja esta para melhor ou pior. E como as coisas mudam. Mudam de foco, de perspectiva, de interpretação. Quando eu era pequeno, chegava ao sítio dos meus pais e qualquer novidade me trazia espanto, alegria. Era uma festa para nós, crianças, chegar ao sítio e descobrir um pequeno cacho de uvas, ainda verdes e azedas, na singela parreira que brotou sobre o estacionamento de bambus. Eram tempos alegres e inocentes. Sem as responsabilidades e preocupações que os adultos enfrentam. Incrível como perdemos a sensibilidade ao longo dos anos. Hoje em dia, só ficaria impressionado se encontrasse um orangotango albino dependurado naquela parreira. Lembro que ficávamos horas em frente ao laguinho, desperdiçando minhocas, goiabas, ração de galinha e outros tipos inusitados de isca. Os mosquitos nos atacando sem piedade, o sol torrando as nossas peles e apenas algumas piabinhas se atreviam a mordiscar o anzol. Atualmente, se houvesse tempo livre na minha tumultuada agenda, e se eu tivesse interesse em pescarias, adotaria técnicas mais efetivas, como dinamite, cartuchos calibre 12 ou simplesmente iria ao jardim japonês munido de miolo de pão e um tijolo para acertar na cabeça das carpas assim que viessem à tona. Que perda de tempo. E pensar que ficávamos na varanda até tarde e por várias vezes ficamos ali parados, fitando o céu, procurando discos voadores. As estrelas eram tão bonitas... Será que ainda estão lá? Tanto tempo sem olhar para o céu. Procurando discos voadores, pois sim. Até parece aquela música do Caetano, que fala sobre seu exílio. Nunca entendi se ele estava vendo quatro discos voadores ou se estava procurando discos voadores. O idioma inglês sempre foi muito complicado para mim. Ele fala “looking for” ou “looking four”? Não sei. Talvez ninguém saiba. Hoje ninguém sabe e nem quer saber de nada. O mundo perdeu sua magia. Uma amiga da minha mãe fazia um truque idiota quando eu era criança. Aquele de fingir que tirou o próprio dedo. Na época eu achava o máximo. Hoje tenho raiva dela. Fazer-me de bobo daquele jeito. Deveria se envergonhar. Os adultos são uns cretinos. Contam histórias fantásticas para as crianças e não acreditam em nada que elas inventam. Quando meu pai me disse que o Coelho da Páscoa viria naquela noite, eu acreditei. Quando eu disse que foi ele que fez xixi na minha cama, ninguém acreditou. E ainda riram de mim. E usaram aquela filmadora velha do meu tio para gravar a minha versão da história. Até hoje eles exibem o filme nas noites de natal... E o natal é outra palhaçada! Na época era até divertido. Íamos dormir e quando acordávamos havia presentes na sala. E todos sabiam que o Papai Noel esteve ali. E nossos pais ficavam ali rindo e contando histórias do bom velhinho. Hoje em dia o natal não me traz o mesmo encantamento de outrora. Muito pelo contrário. A idéia de alguém invadir a minha casa na calada da noite é tão sombria que comecei a dormir com um taco de beisebol debaixo do travesseiro. Imaginem se eu vou buscar um copo d’água e esbarro com um estranho na minha sala carregando uma caixa? Papai Noel ou ladrão, vai tomar uma cacetada que não vai esquecer tão cedo.

Autoria: O chinelo da minhoca

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Brasil que não aprende.

Outro dia, assistindo à tevê, vi um programa que mostrava vários marmanjos sendo massacrados por crianças. Não. Não era um filme de terror. Também não era o jornal das oito. Era um programa que mostrava o quanto as crianças da quinta série sabiam mais que os adultos. E isso me deixou pensativo. Lembrei de já ter sido uma criança da quinta série. Eu realmente era muito esperto naquela época. Sabia tudo. Realmente tudo. Mas se esse conhecimento todo tinha realmente alguma utilidade, por que não me lembro de nada? Por que aqueles adultos não se lembram, já que também foram alunos da quinta série algum dia? O conhecimento adquirido na minha quinta série e nas séries subseqüentes foi muito importante para que eu passasse no vestibular, mas não ajudou muito depois disso. Agora que passou o desafio do vestibular, o que eu faço com as quelíceras e os pedipalpos dos aracnídeos? Com a auxina, a giberelina e a citocinina? Será que as zônulas de adesão, oclusão e os desmossomos poderão me ajudar algum dia? O que faço agora com os estudos de obras literárias que li e decorei para os exames? Será que o meu cabeleireiro vai puxar assunto sobre isso? Talvez o taxista me pergunte se eu gostei daquela frase do Guimarães Rosa ao invés de falar sobre o tempo. Como será que o número de Avogrado e a lei de Hess me farão entender a política do nosso país? Na certa, o Ancylostoma duodenale tem uma resposta para tudo isso. Ou será que devo perguntar para o Trypanosoma cruzi, ou para o seu vetor, o Triatoma infestans? Estariam as respostas nos movimentos orogenéticos, nos diastrofismos, nos intemperismos? A solução da violência e da miséria dependeriam do estudo detalhado do movimento ludita? Do Golpe do Termidor? Com quantas guerras de Canudos se faz uma Revolução Farroupilha? E na hora de pagar meu imposto de renda? Vou fazer uma equação de segundo grau? Descobrir a hipotenusa? O brasileiro só sabe multiplicar problemas e dividir dívidas. Os bandidos e políticos corruptos (que são praticamente sinônimos) subtraem as riquezas do país. Existe alguma soma? Claro. Pode pegar a calculadora e somar o imposto de renda com o IPVA e o IPTU. O resultado é uma vergonha. E a capital do Afeganistão? Alguém sabe? O adulto não quer saber da capital. Está é preocupado com o próprio capital. E como vamos cuidar de nossas finanças? Aprendendo na marra ou pagando alguém para nos orientar. Não aprendemos isso na escola. E deveríamos aprender. Deveríamos ter aulas de direito do consumidor, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, culinária, política, economia, justiça. A escola deveria nos preparar para o vestibular e para a vida. A criança aprende com muita facilidade. E nós enchemos a cabecinha delas com cultura que será esquecida ou pouco utilizada. Que tal se ensinássemos melhor sobre sexo? Hoje em dia a criança vai aprender de qualquer jeito, pois o sexo está em toda a parte, seja na novela, nas ruas ou na internet. A escola poderia pelo menos ensinar de uma maneira mais construtiva do que ensinam as músicas de funk. Vamos ensiná-las a identificarem pessoas suspeitas, pedófilos, ladrões, para que possam se defender delas. Ao invés de melhorar o ensino, o que o governo faz? Muda as regras do português. Os ignorantes é que foram beneficiados, pois se antes escreviam errado por não saber, agora escrevem certo por continuar não sabendo. Vamos melhorar o ensino nas faculdades? Não. Vamos criar o sistema de cotas. Vamos melhorar o ensino na rede pública? Não. Vamos dar um colete à prova de balas para os professores e seja o que Deus quiser. 

Autoria: O chinelo da minhoca

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pequi: desabafo do Pedrinho


Eu odeio pequi!
Essa carta escrevo para vocês, queridas mamãe e vovó.
E repito para ficar claro: Eu odeio pequi!
Talvez vocês não tenham percebido, mas eu só fujo de casa quando estão cozinhando pequi. Talvez não tenham entendido o motivo das minhas ânsias de vômito quando vocês colocaram pequi no meu prato sem o meu consentimento. Talvez eu não tenha deixado claro a minha intenção quando desfreei o caminhão do tio Juca, carregado de pequi, enviando toda a carga para o fundo da lagoa.
De qualquer jeito, deixo aqui meu manifesto, para uma leitura cuidadosa por parte de vocês. Espero que entendam o conteúdo da mensagem.
Não sou uma má pessoa. Não sei de onde vem essa minha aversão ao pequi.
Não tenho nada contra quem gosta (ou talvez tenha).
Não detesto os moradores da cidade de Pequi.
Simplesmente acredito que comer pequi seria uma traição aos meus instintos.
De que valeria minha visão, se eu não respeitasse o que ela me mostra, me advertendo que não devo comer aquela coisinha babosa e amarela (nada contra as pessoas amarelas, na verdade até me amarro nos Simpsons). 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O cinema e a pintura

Godzilla andando de Kawasaki Ninja? Garçon, eu quero o mesmo que aquele pintor está bebendo
(e o anel de caveira estilo Keith Richards?)

Leonardo, após limpar o vômito verde que escorria de seu rosto, deu os últimos retoques antes de chamar o padre Damien

Wolverine foi pegar a caneta que estava na orelha (podia ter sido pior: pelo menos ele não inventou de coçar o saco)

O chinelo da minhoca
Autoria dos quadros: não sei (como sempre) - o primeiro eu fotografei no Shopping de Manhuaçu/MG (artista local?), e os outros dois achei na internet.