INVENTA OUTRA
Era um dia ensolarado de primavera, quando teve início um encontro improvável entre vários nomes ilustres da nossa ciência.
- Bom dia, senhor Einstein. Como está se sentindo nesta linda manhã? – perguntou Isaac Newton.
- Não tão excitado quanto o átomo de Bohr, posso lhe garantir, senhor Newton – respondeu Albert Einstein.
- Acordou áspero, não é mesmo? Ninguém mandou ficar entretido com os teoremas de Euclides, se é que você me entende.
- “O homem só se curva diante dos obstáculos se existe um meio de passar por baixo deles”.
- Muito bem colocado. Mais açúcar no seu chá?
- Uma colher.
- Pena que madame Marie Curie não compareceu. Será que não ouviu sobre o nosso encontro?
- Talvez tenha tido problemas com o rádio – disse Einstein, sorrindo.
- Sagaz comentário. Não sabia que era afeiçoado aos trocadilhos – respondeu Newton, espantado.
- Antes do desjejum eu costumo ser um tanto quanto eloquente. Depois me torno compulsivo e por fim vou dormir com meus devaneios.
- Seu estado de humor é bem relativo.
- Um homem regido por tantas leis não deveria se render ao sarcasmo.
- Touché, velho amigo.
Um terceiro cientista se aproximou dos dois físicos, tornando a discussão ainda mais inédita.
- Que imagem incomum. Duas raposas à mesa e não vejo sequer uma galinha – brincou o inventor Thomas Edison.
- Junte-se a nós, Edison. Estamos praticando a mais nobre arte do desdobramento linguístico prosaico coletivo – disse Einstein.
- Estão jogando conversa fora.
- Exatamente.
- Não puderam inventar nada melhor? – provocou o inventor.
- Já chegou afiado, não é? Cuidado rapaz. Na Arábia os gênios eram aprisionados em lâmpadas – lembrou Einstein.
- Dentro da minha pelo menos teria luz – respondeu Edison, dando uma piscadinha furtiva para Isaac Newton.
- Grande resposta! – vibrou Newton. – Deixou nosso companheiro sem fala. Oh, Deus! Como esperei para ver meu amigo Einstein com esta expressão de derrota no rosto. O que aconteceu, meu caro? O gato comeu sua língua? Ninguém mandou ficar mostrando ela para os outros.
- Há! Brilhante comentário, amigo Newton – continuou Edison.
- Não mais brilhante que sua lâmpada, meu caro.
- Pare. Você está impossível hoje. Não está, prezado Einstein?
- Impossível é suportar tamanha rasgação de seda – resmungou o físico, com cara de emburrado.
- Ficou bravinho. Não devíamos fazer chacota com nosso amigo. Ele poderia nos jogar uma bomba – provocou Newton.




