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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

BEM AVENTURADOS OS SEGUIDORES DO TWITTER DO SENHOR

        

        O mundo estava sofrendo um processo de mudanças muito rápidas. Preocupado, Deus convocou seus anjos conselheiros. Queria voltar a se comunicar com as massas, mas essa comunicação precisava de alguns ajustes. Afinal de contas, arbustos flamejantes e inscrições em tábuas de pedra já caíram em desuso... 
- Anjo Gabriel, como estão os nossos projetos? 
- Senhor, estamos enfrentando algumas dificuldades operacionais. 
- Que tipo de dificuldades?
- Sabe, são coisas meio técnicas. O Senhor não precisa se preocupar. Pode deixar que eu e os anjos da TI estamos cuidando de tudo e em breve enviaremos um relatório detalhado. 
- Que tipo de dificuldades? 
- Dificuldades operacionais. O LAYOUT não parece estar correspondendo às expectativas do público-alvo, caracterizando um impacto negativo na estratégia de STARTUP, considerando que o BRAIN STORM da equipe de planejamento sugeriu uma abordagem de alcance a médio-longo prazo, levando em conta que as estatísticas do comitê de COACHING... 
- Gabriel, quer fazer o favor de parar de me enrolar e explicar direito o que está acontecendo?
- Desculpe, Senhor. Não queria desgastá-lo. A verdade é que tudo que fizemos até agora deu errado. 
- Como assim, tudo errado? Não gostaram do meu sermão sobre os novos caminhos da humanidade? 
- Quase ninguém leu o sermão. 
- Não é possível. Deixei bem claro que era para enviar para todos os emails do mundo! 
- E nós enviamos. Mas esquecemos de um pequeno detalhe. Como mandamos pra muita gente, o sermão acabou sendo considerado um SPAM, e hoje em dia ninguém fica lendo SPAM. Ainda mais com 982 páginas e começando com a frase “ajoelhai e tremei, oh pobres mortais, que aqui vos fala o senhor teu Deus”. 
- Puxa, mas antigamente chamava a atenção... 
- É, mas hoje em dia tá complicado chamar a atenção. O pessoal não se impressiona facilmente. E ainda tem muita gente que acha que é vírus ou então aquelas lendas urbanas que a empresa de marketing do capeta ajudou a criar uns anos atrás... 
- Talvez se postarmos com um GIF animado, com uns relâmpagos... 
- Já tentamos isso no FACE. Mas também não foi bem recebido. Apareceu como post patrocinado, quase ninguém curtiu. 
- Colocou aquela minha ideia? De colocar uma foto bonita e uma chamada do tipo “Quer salvar sua alma? Clique aqui e saiba como”, com um LINK pra pessoa clicar e direcionar pra nossa página? 
 - Coloquei, mas ficou parecendo golpe de marketing de alguma empresa mal intencionada, querendo vender SHAKE pra emagrecer ou outro golpe semelhante. Também não atraiu muita gente. 
- HASHTAGS! Parece que fazem sucesso, não é? 
- Tentamos vários tipos, mas hoje em dia tem tanta HASHTAG falando de Deus, que acabou passando batido. #deuséfiel, #deuséamor, #deusémaior fizeram muito sucesso no passado, mas hoje não funcionam. É tanto jogador de futebol com essas expressões tatuadas no braço, escritas em pára-choque de carro, que perdeu a magia de outrora. E como vamos postar sermões no TWITTER? A quantidade de caracteres é muito limitada. 
- Então vamos mandar um ZAP. Podemos jogar nos grupos de famílias. Sempre tem aquelas tias que adoram postar mensagens religiosas. 
- Boa idéia! Não chegamos a tentar essa ferramenta. 
- Então vamos lá. Vou começar arrebentando. Toma aqui uma lista dos novos mandamentos que o pessoal da seção de UPDATE me ajudou a fazer. 
- Já vou escrevendo aqui então, “não postarás o nome do Senhor em vão”, tudo bem... “não compartilharás notícias de cunho político sem consultar a fonte para se certificar de não estar compartilhando mentiras”, acho muito justo..., “não postarás pornografia infantil”, bem atual..., “não cobiçarás a mulher de quem for seu amigo no face”, kkkkkk, gostei... “não usarás a letra K de forma leviana ou excessiva em seus comentários”, foi mal...


*Texto selecionado pelo Edital Instituto Unimed BH de Literatura, em parceria com a Academia Mineira de Letras - 2016 
**Desenho = retirado da internet - fonte http://blogs.quovantis.com/god-programmer/

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

SOBRE MENTIRAS, MEDICINA E BOM SENSO



"Uma mentira pode dar a volta ao mundo, enquanto a verdade ainda calça seus sapatos."
- Mark Twain

"Keep pushing that lie. Keep pushing till you make it true."
- Leonardo DiCaprio como Frank Abagnale Jr no filme "Prenda-me se for capaz"


Cuidado com as mentiras, pessoal. Elas estão sendo empurradas e divulgadas e distribuídas de modo a mudar a verdade!

"Cura da calvície"
"Parto humanizado é só com parteira"
"Receita de óculos é na óptica..."
"Tratamentos estéticos de qualidade pela metade do preço"
"Vitiligo tem cura: ligue para o número..."

É muita informação errada, tendenciosa, enganosa que vemos e ouvimos por aí, todas com o objetivo de mudar os conceitos e levar alguma vantagem (geralmente monetária, mas existem muitas pessoas que gostam é de aparecer e de dar uma de entendido). A maioria delas era vista apenas em cartazes afixados em postes e em anúncios de rádio, mas agora estão pipocando em nossas telas de computadores, com uma cara de pau ainda maior. 

Engraçado.
Quando precisei fazer um canal no dente, não procurei um arquiteto ou um engenheiro.
Quando precisei comprar pão, não procurei um escritório de advocacia.
Quando meu carro estragou, não procurei uma firma de publicidade.
Por quê?
Porque sei que o dentista cuida dos dentes, que o pão é comprado na padaria, que o carro é consertado em oficina. Porque algumas coisas são muito óbvias. Algumas coisas não entram em discussão. É o chamado "senso comum", ou talvez até de "bom senso".

Mas qual é o problema do bom senso? O problema é que todo mundo acha que tem.
O problema é que o bom senso precisa de regras. Regras que são estabelecidas nos nossos lares, nas escolas, nas ruas, na nossa vida em geral. Mas o bom senso varia muito, dependendo do meio onde a pessoa está inserida.

Ele não tinha carteira de motorista? Então por que estava dirigindo?
Ele não tinha carteira da OAB? Então por que estava advogando?
Ele não tinha carteira de médico? Então por que estava atendendo como médico?

Isso parece uma tremenda falta de bom senso, não é mesmo? Mas o problema é que estamos inseridos no Brasil! E aqui no Brasil temos uma grande crise de bom senso. Porque aqui temos a cultura do jeitinho, da escapadinha, do mais barato, do rapidinho, ninguém está olhando, ninguém liga, ninguém fiscaliza, ninguém pune, entre outros. Nosso problema como brasileiros está na falta de senso, na irresponsabilidade, na ganância, no jeitinho brasileiro, na pirracinha de querer ter direito sem querer ter os deveres.

Estou falando isso tudo como introdução para falar do assunto que anda me incomodando cada vez mais: a falta de respeito com a medicina e com a saúde no Brasil. Não aprovaram a Lei do Ato Médico, tudo bem, não vou entrar na discussão sobre o que estava escrito nessa lei que tanto incomodou outras áreas da saúde. Mas acho que deveria sim existir uma lei que deixasse bem claro o que é função exclusiva do médico. Porque se não existir uma lei falando isso, o jeitinho brasileiro aos poucos vai se apoderando de vários atos médicos, que passam a ser tratados como ato público, que qualquer pessoa pode exercer.

Precisamos de regras sim, pois senão vira baderna.
Precisamos estabelecer o que é a medicina sim, pois já virou baderna.
Tá cheio de espertinho se valendo da máxima "o que não é proibido, é permitido"!

Todo mundo gosta de dar palpite em relação a remédios. Sua mãe, sua vizinha, o padeiro, o trocador, o engenheiro, o balconista, etc. E tá errado! A banalização começa desse jeito. Vai virando "senso comum" que este ou aquele remédio é tranquilo, que todo mundo pode usar, então todo mundo também pode prescrever. Vai virando senso comum que você pode comprar os óculos de grau na barraquinha do camelô, que você pode tratar uma apendicite aguda com o pastor da igreja, que você pode fazer tratamentos miraculosos em Cuba, que basta ligar para o número que aparece em seu televisor e nós te enviaremos a cura do câncer e dois potes de creme de jacarandá antirrugas.

E todo mundo fica morrendo de medo do mosquito da dengue, porque se ele encostar o biquinho dele em alguém a pessoa pode ter inúmeras doenças... E de agulha ninguém tem medo! Que é muito maior, entra mais fundo e pode provocar muito mais coisas do que todos os mosquitinhos juntos!
Mas agulha tá tranquilo, já virou senso comum que todo mundo pode enfiar agulha em qualquer pessoa. Olha o senso comum aí! Se o fulano pode encostar agulha na pele, então eu também posso. Se já encostei a agulha, por que não posso enfiar ela um pouquinho? Se já cheguei na derme, porque não enfio até na gordura? Já que enfiei a agulha toda, porque não aproveito e injeto alguma coisa? Se já estou injetando e não tá dando errado, porque eu não aproveito e começo a aspirar alguma coisa? Se já faço isso tudo, por que não fazer outras coisas também?
"Credo, que exagero!"
Estou exagerando? Vamos esperar mais uns 10 anos e vamos ver se é mesmo exagero.
Alguns anos atrás, só médico que fazia tratamento com laser, aplicação de botox, etc. Hoje em dia, todo mundo aplica laser e botox em todo mundo e em qualquer lugar, com 90% off se você procurar naqueles grupos de desconto da internet.

Tá cheio de gente fazendo curandeirismo, charlatanismo, exorcismismo, picaretismo, e outros ismos por aí...

Não quer estudar pra ser médico. Quer é fazer cursinho de alguma coisa que enfia agulha nos outros, vestir uma roupa branca, colocar "Dr Fulano" bordado no jaleco e sair por aí fazendo excrementos e cobrando caro. Quer fazer um grupo de discussão na internet pra ficar falando mal dos médicos e dar conselhos de tratamentos medicamentosos com riscos de efeitos colaterais sérios (que o digam os marombeiros que ficam ensinando como usar hormônios de crescimento e outras bombas). Quer levantar a bandeira do parto humanizado dentro da lagoa no meio da selva, apoiando os pés em dois botos e usando o dente do jacaré pra cortar o cordão umbilical. Haja falta de senso!
E falta bom senso nas duas extremidades da agulha, pois a pessoa que leva a agulhada também deveria ter noção do risco que está correndo.
Quem aceita ser tratado ou orientado por certas pessoas de capacitação duvidosa também tem culpa quando alguma coisa dá errado. Mas aí quando dá problema o que a pessoa faz? Finge que foi enganada, que achou que era tudo igual, chora as pitangas e vai pra onde? Vai procurar o médico pra tentar resolver (isso se não morrer ou entrar em coma antes). É sempre assim = é mais barato, é mais fácil, é mais tranquilo, no grupo do facebook falaram que era bom, então vamos fazer. Se der errado, aí eu vou no médico. E engraçado que quando dá errado, quase ninguém processa, porque no fundo sabem que tomaram ferro porque tentaram dar uma de espertão. E essa impunidade estimula ainda mais essa turminha a continuar passando a perna nas pessoas.
"Ah, mas tem muito médico ruim!"
Concordo. Tem mesmo. Somos todos brasileiros com mania de jeitinho, não somos? Tá cheio de médico fazendo coisa errada por aí. Mas não são todos que são assim e, infelizmente para vocês, espertões, os médicos ainda são muito mais seguros do que os blogueiros. Então, se você não confiou no primeiro, procure o segundo. Melhor pegar uma segunda ou terceira ou quarta opinião com um médico do que na internet.
Se ainda prefere se informar pelas redes sociais, um conselho: ao invés de procurar um fórum de alguma picaretagem, procure um fórum de discussão sobre bons médicos, peça indicações de amigos ou parentes. Com certeza você vai encontrar uma solução mais realista para o seu problema. 

O chinelo da minhoca










quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A imparcialidade no país do futebol

Programação da TV quando o Flaminthians ganha:
06:00h Bom dia, Flaminthians
07:30h Maix voxê (com receitas exclusivas do Luxerlei Wandemburgo)
10:30h TV Clubinho (com desenhos escolhidos pelos filhos dos jogadores do Flaminthians)
12:00h Flaminthians campeão: primeira edição
13:00h TV Esportes Especial: todos os lances em HD e nossos advogados rebatem todas as acusações de favorecimento descarado do árbitro
14:00h Vídeo Show. Hoje com o novo jogo "Por que todos os brasileiros amam o Flaminthians?"
15:30h Vale a pena ver de novo os melhores momentos do jogo
17:30h Malhação: os melhores vídeos, memes e postagens dos torcedores do Flaminthians para ridicularizar os perdedores
18:45h Flaminthians campeão: segunda edição
19:30h Novela das 6: "Flaminthias da paixão"
20:30h Novela das 7: "Intrigas do Destino do Flaminthians"
21:30h Novela das 8: "Império do Flaminthians"
22:30h Babaovo Repórter Especial: os bastidores da vitória do melhor time do Brasil
23:30h Talk Show - entrevistando os heróis do Flaminthians

Programação da TV quando o Flaminthians perde:
06:00h Bom dia, por quê? Vai encarar?
07:30h Receita? Me dá uma de aspirina que estou com enxaqueca
10:30h TV Clubinho (com desenhos normais, pois o dia de hoje não tem nada de especial)
12:00h Jornal: primeira edição. O jornal foi cancelado por falta de notícias relevantes. Ontem não aconteceu nada. Jogo? Que jogo?
13:00h TV Esportes: com o melhor da marcha atlética da Europa
14:00h Vídeo Show. Vamos falar só de coisas relevantes, novelas, etc.
15:30h Vale a pena repetir de novo que ontem não aconteceu nada. Rodem outra novela!
17:30h Malhação: reprise de grandes momentos antigos da história do Flaminthians.
18:45h Jornal: segunda edição. Com muitos crimes, política e nada de esportes. Ta bom, esportes. Notícias do campeonato de arremesso de martelo e sobre a copa do mundo de bocha.
19:30h Novela das 6. Que saco!
20:30h Novela das 7: Já disse que nem assisto futebol. Me deixa em paz!
21:30h Novela das 8: Será que esse dia não acaba?
22:30h TV Repórter Especial: O crescimento do golfe no Brasil
23:30h Talk Show - entrevistando várias pessoas que não tem relação alguma com futebol

O chinelo da minhoca

terça-feira, 29 de julho de 2014

Carta aos jogadores da Alemanha




Caríssimos jogadores da Alemanha,

Quem vocês pensam que são?
Chegam no nosso país, na maior folga, querendo nos dar aulas de tudo?
Não precisamos de seus ensinamentos de futebol, tá bom?
Nossos jogadores tem o futebol no DNA.
Nosso futebol é vibrante, moleque, jovem, ousado, um pouco desorganizado, muitas vezes irritante e um tanto ultrapassado, e está indo muito bem, viu?
E daí que nossos jogadores choram mais do que jogam? O homem não pode mais ser sensível? Seus brutamontes preconceituosos! Aposto que ficam se segurando para não chorar quando toca o hino da Alemanha. Nosso time pelo menos tem coragem para chorar soluçantemente e bradar desabafos de auto-afirmação após cada vitória, após cada desfalque por contusão, após cada cartão amarelo, após cada escanteio perigoso, após esquecermos de tomar nossa fluoxetina, sempre que vemos um filhotinho de gato brincando com bolinhas de papel, sempre que avistamos uma bela borboleta voando majestosa sobre os lírios do campo... enfim, somos apenas emotivos. Parem de espalhar boatos dizendo que não temos preparo emocional!
Não me venham com esse seu técnico cheio de projetos e táticas e escalações baseadas na meritocracia.
Nosso técnico não fica dando entrevista em inglês e alemão só pra aparecer. Tampouco fica escalando os melhores jogadores. Oras, os piores também tem que ter chance, não é mesmo? Ele é muito mais legal que o técnico de vocês, apesar de ter menos cabelo e comer menos meleca.
Não venham nos ensinar humildade!
Já temos muita.
Nosso povo já é humilde o suficiente em tudo na vida. Não precisamos ser humildes no futebol. A gente é gozador mesmo, pô! A gente sabe rir da desgraça alheia.
Vocês não passam de uns bundões medrosos que não sabem fazer piada com a cara dos perdedores.
Não tem a nossa alegria, a nossa vibração.
Fossemos nós ganhando de 5 no primeiro tempo...
Seria uma gozação só!
E aplicaríamos chapéus e bolas debaixo das pernas pra humilhar vocês ainda mais e mostrar o nosso jeito campeão e evoluído de ser. E nossa torcida gritaria olé e vaiaria o seu timinho. E faríamos mais gols e faríamos pose diante das câmeras, chupando o dedão pra mostrar como foi fácil ganhar.
Vocês deram foi muita sorte!
E outra coisa. Não me venham com essa presidenta de vocês.
Sujeitinha aparecida.
Fingindo gostar de futebol, de democracia, do povo.
Gostar do povo, pois sim.
Onde já se viu?
Nossa governante sim nos representa.
Mostrando de forma carrancuda como é que se portam os líderes.
Podem levar com vocês essa imagem dissimulada que trouxeram.
Sabemos que vocês estão fingindo.
Fingindo ser mais educados, fingindo moderação nas palavras, fingindo respeito ao próximo, fingindo que sempre jogam seu lixo na lixeira...
Fingindo ter mais cultura que nós, brasileiros. Até parece.
Pois fiquem sabendo que Gil é nosso ministro da cultura (ou foi). E ele é cantor, viu? (ou foi).
E nossa cultura é mais bacana que a de vocês.
Nós temos carnaval!
Vai encarar?
Nós temos a Xuxa!
Entenderam o recado?
Nós temos o funk dos morros, galera!
Seus petulantes!
Esfregando boa educação na nossa cara...
Educação pra que, seus chatos?
Nosso ex-presidente não estudou.
E mesmo assim ajudou o Fidel a acabar com vocês na Guerra do Vietnã.
Seus manés!
Trazendo aquele velho gagá do Klose.
Só pra bater o recorde do nosso gordinho.
Onde já se viu jogador de 36 anos correndo daquele jeito (aposto que cheirou dopping antes do jogo).
Não me venham falar que ele tem boa saúde, boa preparação, que não fuma e nem bebe.
Papo furado! Nós sabemos que as coisa não funcionam assim.
Nossos jogadores quase não fumam, quase não bebem, e se aposentam com 32.
Idade justa, pois dali em diante é ladeira abaixo.
Só vocês mesmo pra ficarem trazendo essas experiências médicas, esse freak show de jogadores saudáveis.
Saúde?
Não precisamos de saúde.
Temos o nosso jeitinho brasileiro, que nos permite enganar as doenças e fugir da morte. Basta um bom advogado que escapamos de qualquer diagnóstico desfavorável ou doença terminal. A gente vai apresentando recursos, apelações e aqueles tais embargos divergentes até onde der.
E se a danada da morte aparecer, colocamos um laranja no nosso lugar.
A gente é malandro, rapaz!
Saúde a gente deixa pra vocês que são fracos.
E quer saber?
Cansamos de vocês e suas postadas no facebookson.
Não precisamos que vocês fiquem dando ambulâncias para nossos índios.
Eles já tem muitas coisas legais.
Já demos muitos presentes pra eles, como espelhos, shortinhos da Adidas estilo seleção de 82, terras abundantes em locais afastados da civilização, bolsa família indígena, entre outros regalos.
Estão querendo nos empurrar o jeito alemão de ser?
Arrogantes!
Saiam do nosso país e não voltem!
Seus folgados.
E levem aquele troféu com vocês, pois já temos cinco.
E levem também o resort que vocês fizeram na Bahia, construído no prazo, sem a necessidade de licitação de emergência e sem deixar os 30% de propina, seus escoteiros certinhos de uma figa.
E ficamos combinados: vocês não aparecem mais aqui pra nos humilhar com todas essas coisas, e prometemos que não iremos até a Alemanha humilhar vocês com... com... nossa alegria!


Autoria: O chinelo da minhoca
Foto: retirada da internet = http://www.faroldenoticias.com.br/


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Vídeos musicais para alegrar um pouco o seu dia


1. Monty Python = música obrigatória em funerais (dica = procurem no youtube a versão dublada em português "olhe sempre o lado bom da vida", cantada pelo dublador do Chaves). Viva feliz, e se tiver que morrer, que morra com um sorriso no rosto e com essa música tocando ao fundo no seu velório. 


2. Ok Go = e você achava chato usar a esteira da academia. Tente imitar esses malucos aqui. 




3. Já está de saco cheio do seriado Glee? Relaxe e veja esse vídeo divertido e criativo, estrelado por um japinha que imita a Lady Gaga. 




Fonte = youtube

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Charges: medicina cubana no Brasil




Charges: A de cima foi retirada do blog rolhasuave.wordpress.com; As duas do meio são do cartunista Alpino (Yahoo Brasil); A última é do cartunista Pelicano, retirada do site www.pelicanocartum.net

Cuanto mas médicos, mejor




- Ô, seu dotô, minhas cacunda tão rachando de dor!
- Engula-te dós aspirinas, cante lo hino de Cuba, e vote en la compañera Dilma. El próximo!
- Ai, dotô cubano, minha cabeça dói, minha pressão tá hipertensa, meu figo tá inchado. Quê que eu faço?
- Faça muchas camiñadas e siga esse regime. 
- Ficô maluco, dotô? Que negócio é esse de comer em um dia e jejuar em dois? 
- És lo regime socialista, mujer! Segue-lo ou muera!!! Próximo!
- Bom dia, seu dotô. Vim fazê um checápis.
- Cuantos cômodos em su casa? 
- Lá em casa são 2 quartos. 
- Cuantos moradores em su casa?
- Só eu e a patroa.
- Entao jo voy a colocar algunos compañeros em su casa, ja que usted esta com mucho espaço. Pegue la cartilla de los exames de check-up e la lista de nombres de sus nuevos compañeros. Próximo!
- Dotô, to cum uma bosta rala danada, uma piriri gangorra que só vendo, é um tal de escorrê as perna afora. E já me falaram pra cumê caroço de jabuticaba mas aí fico toda seca, e fica tudo parecendo cocozinho de bode, durinho igual pão véio.
- Bata en el liquidificador los caroços juntamiente com diez amexas. Hay que endurecer el cocô, pero sin perder la ternura. E no use el papel hijienico, tienes que acostumbrarse com la falta de papel para quando la cumpañera decretar las nuevas acciones socialistas de lo govierno. 
- Dotô, trouxe uma broa de fubá pro sinhô. O sinhô gosta?
- Jo no sei. Tiengo que perguntar a mi superiores (ligando para cuba) - Ramón! Es interesse de lo regime que gañemos broa de fubá? Ahan... Si... No... Quizaz... Si, señor! Viva Fidel! Adios. (voltando-se para a paciente) - Jo agradeço a tu. La broa estará siendo encamiñada para mi govierno, que comerá lá maior parte e enviará el resto de las migallas a mi familla. El próximo...

O chinelo da minhoca
Autoria da charge = Jorge Braga, site www.chargeonline.com.br
*Como estou escrevendo em espanhol? Ligue para 0800-epeçapradilmaimportarprofessoresdeespanhol

terça-feira, 6 de agosto de 2013

FUTEBOL, SOGRA, E OUTRAS POLÊMICAS


- Bom dia a todos. Convoquei essa entrevista coletiva para esclarecer algumas coisas que estão acontecendo na minha vida. Quero dar fim a alguns boatos a meu respeito e informar a todos os que acompanham a minha trajetória que a partir de amanhã estarei de mudança. Não dá mais pra continuar aqui. Acho até que demorei demais a tomar esta decisão e minha imagem acabou ficando desgastada. Alguma pergunta? Você aí atrás, de boné.
- Juninho, seu filho de 7 anos.
- Prossiga, Juninho.
- O senhor tá indo pra onde?
- Boa pergunta. Vou pra casa da Lurdinha, aquela minha colega de trabalho. Você, de jaqueta rosa.
- Vanessa, sua cunhada. Muito se especulou a respeito dos motivos da sua transferência pra casa da sirigaita. Dizem que você estaria fugindo da responsabilidade de criar dois filhos e de ter que morar com a sogra. Você confirma essa informação.
- Quero aproveitar essa pergunta para deixar bem claro que um dos principais motivos foi a maneira que estavam me tratando aqui. Eu estava sendo obrigado a atuar fora da minha função, o que me impedia de mostrar todo o meu potencial. Todos sabem que eu sou engenheiro formado, mas ninguém nunca me incentivou a explorar esse ramo. Então eu acabei dirigindo táxi, administrando padaria, investindo em lotes vagos, sempre me esforçando para corresponder aos anseios da massa, mas infelizmente nada deu certo. Então achei que era o momento propício de buscar um local onde eu fosse melhor aproveitado. E o pai da Lurdinha tem uma empresa de engenharia, o que me motivou ainda mais a vestir a camisa daquela agremiação. Alguém mais? Você, segurando o rolo de massa.
- Dolores, sua esposa. Eu tenho uma informação privilegiada a respeito do seu desempenho na cama, que sempre foi sofrível, além de ligações de amigas que me alertaram para o fato de você andar por aí com o Carlão, aprontando todas, no horário em que deveria estar na pelada da quarta-feira.
- Essa eu vou deixar o Carlão responder.
- Pois é, como amigo antigo do Alexandre, além de conselheiro e principal incentivador da sua transferência pra casa da Lurdinha, devo dizer que isso é tudo mentira. Ligações de amigas, fotos no instagram, vídeos no youtube, confissões assinadas, impressões digitais, testemunhas idôneas e outros flagrantes não tem peso nenhum quando relacionadas com o que ele está fazendo no seu período de folga. Enquanto ele estiver rendendo satisfatoriamente no trabalho, não podemos condená-lo.
- Jaqueline, sua filha de 16 anos. E por acaso a sua vida vai ser melhor na casa da Lurdinha?
- Ótima pergunta. Eu acho que minha carreira vai dar um salto, já que terei mais liberdade para atuar na minha função de origem e menos cobranças. Aqui é tudo cobrança. Tô cansado de ficar pagando contas. E quero deixar claro que o meu passe agora está muito mais valorizado. Nos últimos anos aprendi a lavar roupa na máquina e fazer batata frita sem espirrar óleo na cozinha toda, o que me qualifica como um dos poucos maridos disponíveis no mercado com essas qualidades. Além disso, chuto o gato pra fora da cozinha com as duas pernas e sou faixa amarela de judô, o que ajuda na defesa do lar. Última pergunta, você aí, de camisa listrada.
- Terezinha, sua sogra. Vem cá que eu vou te encher de pancada, seu safado!
- Como o nível está baixando e a torcida adversária já está invadindo, vou me retirar da entrevista. Obrigado a todos e até a próxima. Meu amigo Carlão vai ficar pra distrair os descontentes enquanto eu saio pela porta dos fundos. Muito obrigado e até mais. 

O chinelo da minhoca
Desenho = no site www.futebolsemfirulas.net

quinta-feira, 11 de julho de 2013

KEEP CALM AND...

Esqueceu o sabre de luz na Millenium Falcon?



Esqueceu de tomar a boca de fumo?



               Esqueceu onde colocou sua bola quadrada?




 Perdeu o show do Paul?




 Cansado de trabalhar?




 Fez algo errado?




 O posto de saúde está lotado? O banco está lotado? O restaurante está lotado?





O chinelo da minhoca
Pôsteres Keep Calm = internet

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Dicionário Mediquês-português

Peterson, Christopher Robert. Gíria médica: trambiclínicas, pilantrópicos e embromeds. [Doutorado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 1999. 129 p.
ANEXO IGíria médica: um léxico Tropos, chistes e motes médicos do Rio de Janeiro [entre colchetes: referências às páginas onde os termos aparecem no corpo do texto]Acades Ver Acades vulgaris.
Acades vulgaris [40, 44-45, 65] Apelido para aluno de medicina, usado principalmente por internos e residentes. Usa-se também simplesmente Acades.
bagrinho [40, 44-45, 65-66] Apelido para acadêmico de medicina ou médico recém-formado.
beija-flor S. m. Diz-se de médico que não contribui efetivamente para a vida institucional de um hospital ou clínica, só aparecendo eventualmente para utilizar as instalações, i.é., para bicar.
bicar V. t. d. Ver beija-flor.
Bob Klinefelter e o Clube Mongol Grupo informal de acadêmicos de medicina de uma faculdade pública do Rio de Janeiro nos anos setenta, que se divertia com a criação de chistes relacionados à prática médica. O nome deriva de: 1) síndrome de Klinefelter, "que na forma clássica consiste em testículos pequenos, infertilidade, ginecomastia e variados graus de sub-androgenização, às vezes com leve retardo mental e/ou comportamento anti-social ... como conseqüência do acréscimo de um X adicional ao complemento masculino: 47, XXY" (Harrison, 1981:1797) e 2) mongolismo, termo atualmente em processo de abandono para se referir à síndrome de Down, ou trissomia 21 (ibid.:2012). O grupo Bob Klinefelter tem análogos norte-americanos nos seguintes periódicos, citados por Bennett (1997:265): The Journal of Irreproducible ResultsThe Annals of Improbable Research eThe Journal of Polymorphous Improbability.
bostetra [41] Apelido para o obstetra usado por outras especialidades médicas, a título de provocação.
CTI S. m. Centro de Terapia Intensiva, ou Centro de Triagem para o Inferno.
cuspípara S. f. Grande multípara, com tendência à evolução do trabalho de parto "em avalanche". Parturiente paradigmática para o seguinte provérbio: "O feto nasce com, sem ou apesar do médico". Equivalente ao termo americano "big G", de grand multigravida, ou "multípara" (Konner, 1987:380).
doutorite [47] Síndrome caracterizada pela adoção precoce, inusitada ou exagerada de atitudes ou responsabilidades propriamente médicas pelo acadêmico de medicina, na percepção dos colegas.
DPP [28, 36-37, 52] Descolamento prematuro da placenta (Rezende, 1984:295-300), ou deixa para o próximo plantão.
drenar [27-28, 34-35, 66-67] Originalmente, aplicar um dreno para "manter a saída de líquido de uma cavidade para o exterior..." (Ferreira, 1986:611); no sentido figurado, transferir paciente para outra unidade de saúde ou consultório.
É-bala, vírus [19, 31, 97, 108] Trocadilho usado por um pneumologista pediátrico para se referir ao agente etiológico de uma ferida por projétil de arma de fogo ("bala perdida") na região cervical de uma criança de dezoito meses. Rio de Janeiro, anos 90.
Embromed [19, 70-71, 72, 76, 97, 100] Nome de plano de saúde fictício, do verbo embromar, ou "protelar a resolução de um negócio por meio de embustes" (Cunha, A.G., 1986:291) e o sufixo -med.
empurroterapia [73] Definida pela Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia (Carmo, 1997:6) como "auto-medicação", traz a dupla conotação de "empurrar com a barriga" (ou adiar a solução de um problema) e receber medicação "empurrada" por balconista de farmácia. Ver o termo americano pill-pusher(Spears, 1991:340).
enfermesa [45] Segundo um médico entrevistado, "enfermeira burocrata, de saúde pública, que fica sentada atrás de uma mesa".
enfermosa [45-46] Epíteto machista para enfermeira bonita.
enfernagem [45] Apelido usado eventualmente por médicos para a equipe de enfermagem, a título de provocação. Entretanto, de acordo com uma enfermeira entrevistada, "é difícil saber ao certo quem inferniza quem".
engessar [27, 52, 54] Preparar o paciente de maneira que não reclame (» good patient americano - ver Gordon, 1983) e/ou deixá-lo pronto para determinados trâmites administrativos. Semelhante ao verbo buff na gíria médica americana (Konner, 1987:381).
esculhambina [47] Enzima imaginária invocada para explicar a recuperação inesperada de paciente grave, principalmente paciente pobre. Sugere que a equipe médica tenha ficado "esculhambada", i.é., "desmoralizada", pelo acontecimento. Na gíria médica americana, existe um personagem na sala de emergência chamado Lazarus, aquele que volta das garras da morte, ou seja, paciente agonizante que se recupera inexplicavelmente (Coombs et. al., 1993:993).
estropício [51] Paciente obstétrica pobre, definida por um médico entrevistado como "mulher que não se cuida".
FDA Food and Drug Administration, órgão do governo americano responsável pela certificação e fiscalização de alimentos e medicamentos. Também conhecida como "ForDevelopment Abroad", uma alusão à experimentação com medicamentos em países do Terceiro Mundo antes do seu lançamento no mercado norte-americano.
ganchos de açougue [52] Podem ser solicitados no lugar de afastadores, durante cesariana realizada em paciente obesa.
gato S. m. Laqueadura tubária realizada durante cesariana e cobrada em separado (ver Ferreira, 1986:840, definições 2, 6 e 9). Ver particulinps.
Hell for All by the Year 2000 Variação do lema da Organização Mundial da Saúde, "Health for All by the Year 2000", ou "Saúde para Todos até o Ano 2000". Segundo um entrevistado, ele próprio consultor da OMS em visita ao Brasil, será o resultado caso não haja cumprimento das metas implícitas no lema original.
hospitalismo [52] Termo irônico usado para síndrome que acomete pacientes com múltiplas internações, cuja necessidade é questionada pela equipe de saúde. Semelhante ao termo revolving door patients na gíria médica americana (Galizzi, 1997).
jacaré S. m. Paciente de baixo poder aquisitivo. Ver mulambo, pimba.
JEC, síndrome [52-53, 97-99] "Jesus está chamando", termo usado para paciente terminal ou agonizante.
junta, problema de Termo polissêmico usado por pacientes no Rio de Janeiro, definido como "junta tudo" (problemas de saúde, emocionais, sócio-econômicos etc.), com referência tanto a um possível diagnóstico ósteo-articular e à necessidade do parecer de uma junta médica.
lexiplastia S. f. O uso de neologismos, especialmente trocadilhos, no campo da medicina.
médico de papel [40] Apelido para médico sanitarista, usado por membros de outras especialidades a título de provocação (Castiel, 1995:9).
mulambina S. f. Enzima que protege mulambo contra infecção. Ver esculhambina.
mulambo [34, 51, 53, 59-60, 67-70, 95] Paciente pobre de ambulatório ou hospital público. Escreve-se também molambo. Termo de etimologia banta, do quimbundo, originário de Angola, denotando "farrapo" e conotando "indivíduo fraco, pusilânime, sem firmeza de caráter" (Ferreira, 1986:1149, 1168, 1435).
mulambulatório [67-70, 97, 100] Trocadilho formado pormulambo (ver acima) e ambulatório, ou "departamento hospitalar para atendimento...de enfermos que podem se locomover" (Cunha, A.G., 1986:39).
Não fique em pé se puder ficar sentado/ Não fique sentado se puder ficar deitado / Não fique acordado se puder ficar dormindo Regra número 1 do médico plantonista noturno, para poupar energia.
O anestesista é um médico quase dormindo / tomando conta de um paciente quase acordando [41] Ditado usado principalmente por cirurgiões para provocar os anestesistas.
O clínico sabe tudo, mas não resolve nada/ o cirurgião não sabe nada, mas resolve tudo / o psiquiatra não sabe nada, e não resolve nada [40] Ditado usado principalmente por cirurgiões como provocação.
O infortúnio dos outros é nossa fortuna. Brinde anônimo, por antítese, em cerimônia de formatura médica. Rio de Janeiro, anos 80.
O ortopedista tem que ser forte e burro / mas o obstetra não precisa ser forte [40] Provocação usada contra ortopedistas e obstetras por membros de outras especialidades.
O patologista nunca perde um paciente [40] Truismo médico.
Pafúncio, Plano [19, 71, 97, 100] Plano de saúde (sic) caracterizado por "procedimentos realizados no hospital público, e por serem parentes de funcionário, eles [os pacientes] são atendidos com mais agilidade e rapidez. Aí, nós costumamos dizer, em termos jocosos, que aquele plano de saúde é PafúncioParente de funcionário" (traumatologista, 33 anos). Do personagem Pafúncio, anti-herói da história em quadrinhos americana Living with Father, traduzida no Brasil como Pafúncio e Marocas.
papoterapia [58] Diz-se da prática de conversar com o paciente ou de contar pequenos chistes no intuito de distrair ou acalmá-lo, sobretudo no período pré-operatório.
parece ser [47] Diz-se do "parecer" do médico mais graduado, professor ou especialista, e cuja veracidade é posta em dúvida discretamente por seus subordinados.
particulinps (de particular + INPS, ou Instituto Nacional de Previdência Social) adj. Paciente ou procedimento caracterizado por duplo faturamento. "O paciente é internado para uma cirurgia corretiva, reembolsada legalmente pelo INPS [atual SUS], e realiza-se uma cirurgia estética, particular, pela qual se cobra de novo. Ou então, uma gestante é submetida a uma cesariana, reembolsada pelo INPS, e acrescenta-se uma laqueadura tubária, cobrada por fora."
pilantrópico, hospital [19, 71-72, 76, 97, 100] Oxímoro formado a partir de pilantra, "que gosta de apresentar-se bem, mas não tem recursos para isso; diz-se de pessoa de mau caráter" (Cunha, A.G., 1986:604) e filantrópico, "relativo à filantropia, ou inspirado nela, i.é., com amor à humanidade" (Ferreira, 1986:777). Definido assim por um médico entrevistado: "...no fundo, eles dizem que hospital pilantrópiconão têm finalidade lucrativa, mas acaba tendo, né? Esse ‘sem fins lucrativos’ deles é muito relativo. Tão sempre lá defendendo o dinheiro deles" (anestesista, 54 anos). Ver o chiste médico americano St. Avarice Hospital ("Hospital Santa Avareza") (Bennett, 1987, apud Bennett, 1997:207).
pimba [51, 60, 62, 95] "Pé inchado mulambo bêbadoatropelado", termo usado para paciente pobre, politraumatizado e recolhido em via pública. Originalmente, interjeição que "exprime acontecimento imprevisto e/ou que marca o desfecho de uma ação" (como um corpo que se rebate de um veículo em movimento - pimba!) (Ferreira, 1986:1329).
pitiático [53] Termo derivado de pitiatismo, designação dada à histeria pelo médico francês Babinski, segundo Cunha, A.G., (1986:610); embora anacrônico, sobreviveu como rótulo para pacientes vistos como enrolados ou excessivamente queixosos, ao contrário daqueles que de fato apresentam neurose histérica.
poli-ignorante [42] Apelido dado ao clínico geral por membros das outras especialidades médicas, como provocação; "sabe tudo sobre nada", segundo um ultrassonografista entrevistado.
poliesculhambado [52] Paciente politraumatizado.
poliesculhambose generalizada Politraumatismo.
politransfodido Adj. Usado para paciente que recebeu múltiplas transfusões de sangue ou hemoderivados de origem supostamente duvidosa. Trocadilho derivado de poli, ou "muitos", transfundido e fodido, "que se fodeu", e por metonímia, "desesperado, arruinado" (Ferreira, 1986:792).
PVC, síndrome do "Porra da Velhice Chegando", termo leigo conotando o conjunto de males da meia idade, como presbiopia, menopausa, artralgias leves e outros.
rebocoterapia [77] S. f. Transferência de paciente para nível ou unidade de saúde com maior resolutividade. Do verborebocar: "puxar com corda, cabo, etc. (embarcação ou veículo) a fim de levá-lo a determinado destino, ou auxiliá-lo em manobra de atracação, desatracação, etc." (Ferreira, 1986:1458).
sanitocracia Doença identificada por Garrafa (1994:348) como uma "utopia tecnocrática, segundo a qual alguns especialistas acreditam tudo poder realizar e resolver simplesmente com base em princípios e medidas ditados pela burocracia programática dos gabinetes, pela esterilidade teórica de alguns escritórios universitários que mais funcionam como fábricas de projetos e teses inócuas e pela tecnocracia biológica de alguns laboratórios acadêmicos".
seca-meleca S. m. Cateter nasal de oxigênio.
SUDS S. m. e f. Sistema Unificado e Decentralizado de Saúde (c. 1986). Definido jocosamente por alguns médicos brasileiros como "bolhas de sabão", pela semelhança com o termo sudsem inglês, na suposição de que pudesse se tratar de uma nova marca de desinfetante hospitalar. Como chiste "tópico", tratando de questão passageira (Freud, 1905a:145), perdeu a graça quando a sigla mudou para SUS, Sistema Único de Saúde.
Tome Aerolin, e vote em mim Propaganda eleitoral impressa no receituário de um médico candidato a cargo eletivo. Rio de Janeiro, anos 80.
trambi Ver trambiclínica.
trambiclínica [19, 65-66, 72, 97, 100, 108] Clínica de qualidade duvidosa em termos técnicos e éticos. Trocadilho derivado, através da elisão de lexemas, de trambique, ou "negócio fraudulento" (Ferreira, 1986:1698) e clínica, "lugar de repouso", "prática da medicina" (Cunha, A.G., 1986:189) A etimologia remonta também ao trampolim, figurativamente uma "...coisa, que... impulsiona alguém; degrau" (Ferreira, 1986:1698), conotando portanto a iniciação profissional. Às vezes o termo é encurtado para trambi.
trapeleta [de trapo + papeletaS. f. Papeleta, ou folha de prescrição, para mulambo, ou utilizada no mulambulatório ou na trambiclínica.
trubufu [52] Paciente obstétrica obesa.
umbigo para cima, Novalgina, umbigo para baixo, Baralgin [77] Ditado pseudo-mnemônico usado em serviços de saúde onde costumam faltar medicamentos.

Fonte: portalteses.icict.fiocruz.br

terça-feira, 30 de abril de 2013

Quando os EUA entraram na guerra contra a Dengue...

Pôster apresentado no XXI CNACDCOADM (Congresso Norte Americano de Combate à Dengue, Caxumba e Outras Armas de Destruição em Massa), 2006:
Autoria: O chinelo da minhoca (contribuição da Kênia que deu a ideia original)
Imagem: Internet

terça-feira, 16 de abril de 2013

RODÍZIO



Eu estava andando pela rua. Já havia passado do meio dia e minha barriga implorava por comida. Ao dobrar uma esquina, me deparei com uma churrascaria. Meus olhos fitaram o anúncio “O melhor rodízio da cidade”. Rodízio! Sem pensar duas vezes, entrei no restaurante. Enquanto procurava uma mesa, comecei a reparar nas pessoas. Todas rindo, conversando, comendo e bebendo. Fiquei impressionado. Como é que podiam ser tão inocentes? Será que não percebiam o que estava acontecendo? Pobres criaturas. Não entendem o que é o rodízio. O verdadeiro rodízio... O rodízio, na verdade, é uma guerra! Uma batalha sangrenta que é travada entre os clientes e os funcionários da churrascaria! Os garçons são soldados sob o comando do gerente, que pode ser considerado o general. A estratégia do inimigo é bem simples: os soldados empurram carne atrás de carne, ao mesmo tempo em que oferecem bebidas insistentemente. O cliente incauto cai nessa armadilha gastronômica e se satisfaz rapidamente, contribuindo para o lucro do exército adversário. Isso sem contar os infelizes que levam mulheres e crianças para o rodízio. O inimigo não perdoa. E é exatamente por isso que eu digo que rodízio é coisa para macho! E o macho tem que ter a seguinte ideia na cabeça: só se entra em um rodízio quando você tem a certeza de que vencerá a batalha, ou seja, dará prejuízo ao estabelecimento. Eu sou o tipo de cara que segue essa máxima. Sentei-me na mesa mais próxima à cozinha. Assim poderia ficar de olho nas manobras inimigas. O gerente veio ao meu encontro e indagou se eu ia querer o rodízio. Ao ouvir minha resposta afirmativa, seus olhos brilharam perversamente e um sorriso cínico tomou conta de seus lábios. Miserável! Mal sabia ele que estava lidando com um profissional. Um veterano de grandes confrontos... Ele deu o comando e seus soldados vieram ao meu encontro. Com toda a minha experiência, sabia que deveria aceitar apenas as carnes nobres. Nada de exaurir minhas forças com carnes duras, de segunda. E o tiro inicial foi dado. Daí para frente foi uma mistura de alcatra, sal grosso, filet mignon, alho, picanha, sangue, suor e saliva. O inimigo atacava por todos os lados e eu me defendia corajosamente. E o tempo foi passando... Após algumas horas de conflito, o inimigo reuniu todos os homens e partiu para um ataque em massa. Esse seria devastador, não fosse o meu oportuno recuo para o toalete. Fiquei entrincheirado até recobrar a minha auto-confiança. Depois de uma breve digestão, saí e comecei o contra ataque. Fui impiedoso. Os soldados se desesperavam ao mesmo tempo em que o general ligava para o açougue e pedia mais munição. Já dava para sentir o bem temperado gostinho da vitória. Depois de alguns minutos, o exército inimigo se reuniu na cozinha. Com certeza estavam tentando achar uma saída. Mas não havia saída! O gerente veio até minha mesa e perguntou, com a voz trêmula, se eu estava sendo bem servido. Se estava satisfeito. Há! Era a rendição! O fato do gerente vir falar comigo significava que eles, após horas de tentativas frustradas, haviam chegado à conclusão que não tinha nada que eles pudessem fazer para controlar a minha fúria animal. Era o pedido de perdão. Como um bando de crianças assustadas, eles clamavam por minha partida. Estavam onde eu queria: em minhas mãos... Mas não iam se livrar de mim assim tão facilmente. Apesar de estar completamente empanturrado, eu resolvi que não deveria aceitar o armistício. Não ainda. Afinal de contas, eu queria que aquela carnificina servisse de exemplo para as gerações futuras. Um marco na história da sociedade carnívora! Um garoto saiu da cozinha carregando coraçõezinhos. Corações... Era isso! Eles seriam o símbolo da minha vitória. Minha sede de sangue seria saciada pelos corações dos inimigos! Que metáfora fantástica! Olhei para o garoto. Por um breve instante fiquei com pena dele. Era apenas mais uma vítima inocente desse mundo insano em que vivemos. Humanidade torturada ardia em meus olhos. Não! Percebi que estava me desviando do meu objetivo. Na guerra não existe glória para os fracos e emotivos. Chamei o rapaz. Nada. Fingiu que não me escutou. Chamei novamente, dessa vez com mais vigor. Ele não teve escolha. Aproximou-se de mim. Dava para ver o medo em seus olhos. Eu não hesitei. Olhei bem no fundo da amargurada alma daquele rapaz, apontei para o meu prato vazio e exclamei em tom de triunfo: Limpa o espeto! Ele obedeceu e voltou correndo para a cozinha, talvez com medo de ser a sobremesa. Devorei tudo e, por fim, pedi a conta. Minha missão havia sido completada com êxito. Na hora de pagar, o único sorriso cínico era o meu, pois o gerente não conseguia sorrir e soluçar de desespero ao mesmo tempo. Lancei um olhar frio para os garçons e fui em direção à porta em passos lentos e meio descoordenados, pois minhas pernas sentiam o peso da contenda. Dei uma última olhada para trás, me prevenindo de um eventual ataque pelas costas, e alcancei a saída. Dobrei a esquina e ainda pude ouvir um último soluço do gerente. 

Autoria: O chinelo da minhoca
Imagem: internet

sexta-feira, 29 de março de 2013

Campanhas educativas


1. Cuidados básicos evitam aborrecimentos futuros!!!


2. Cinto de segurança salva vidas (essa é séria e muito legal!)


3. Se beber, evite praticar nado borboleta na enxurrada!


O chinelo da minhoca
Vídeos retirados do Youtube